"Há recessos desconhecidos na nossa mente que estão além do limiar da consciência relativamente construída. Não é correto designar esses recessos por subconsciência ou superconsciência. A palavra além é simplesmente usada porque é o termo mais conveniente para indicar o lugar. Mas o certo é que não há na nossa consciência nem além, nem debaixo nem em cima. A mente é um todo indivisível e não pode ser desagregada em pedaços" (D. T. Suzuki - Introdução ao Zen)

"Entrar na floresta sem mover a grama; entrar na água sem provocar nenhuma ondulação" (Zenrin Kushu)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Perpétuo Amor (A. L.)



Do Amor cálido constante 
que te tenho
nem o tempo extingue
nossa gêmea alma
que se funde
na forja estelar de alguma
super nova distante

Do Aqui Agora
para o sempre eterno momento
do passado para o presente
futuro instante
sentimento quântico
cimitarra tântrica
forma de energia
que se perpetua
no continuum tempo...


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Miniconto Provinciano da Vida Bandalha




Pornochanchada
de boca do lixo
atores canastrões
roteiro medíocre
e inverossímil
de ópera bufa
decadente
da Cidade Baixa:

- Câmera, ação!

Ela pediu de volta
a aliança
disse que ia pendurar 
no santo
da casa dela
sumiu na porta
do Venezianos
para o consolo 
das amigas
sem nem sequer
dar um beijo
de Adeus

Nem mesmo
esse poeta canhestro
poderia inventar
tamanha ridicularia

A vida é bandalha...

Quem pode mais
chora menos



sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

ALELUIA!




Ó Grande Arquiteta do Universo!

Kali dos mil nomes!

Me prosterno humilde

ao teu Imenso Poder

em mais este rito de passagem

do ciclo solar

Ínfimo ente relativo que sou

ante teu portento Absoluto

Tu que me vigias e proteges 

desde meu primeiro sopro

como chama tênue

de teu Cósmico Corpo 

Sou teu servo mais ignóbil

Teus olhos e tua voz

Teus membros

Ainda que vacilantes

Lagarta que se arrasta

nas ramagens da tua Criação

Promessa feita em meu cativeiro

entre os ímpios

de Eterna Fé Absoluta

Tu és minha Redenção

Compadecida

Destruidora dos meus inimigos

O Sendeiro da minha trilha

A Paz que se avizinha

Luz da minha eternidade...




sábado, 18 de novembro de 2017

Ayê





Quando penso na vida
como cada folha caída
de frondosa árvore 
da Verdade
Outonal realidade
de quem viveu
todos os portentos
Será que chegou 
o momento da partida?
Cada passagem que vivi
luta constante
persona sem trégua
amores perdidos
pecados guardados
a sete chaves
descaminhos
desencontros
pessoas que partem
para sempre
existir
morrer
tudo é o mesmo
parcela de fel
sofrimento
advertido pelo Bhuda
que a todos
mais cedo ou mais tarde
penetra com o tempo
A morte é apenas outra face 
da mesma falsa moeda
ausência premeditada 
de desejo
vazio e esquecimento
de um porta retrato
sem nome



segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Fera Ferida




Foi pontaço de azagaia
ou tiro de escopeta?
- Nada disso seu moço,
nada que a mágoa
o tempo não resolva
coisa de desamor
mesmo
sentimento matado
trabalho forte
tocaia grande 
do tinhoso
sombra malfazeja 
atirou a frecha
e fugiu acovardada
pro meio da mata
nada não, seu moço
escondido no grotão
lambo a ferida
essa noite promete
vingança forte...


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Chorinho


Encontra meu corpo
o teu 
curvas de estradas
nuas
labirintos sinuosos
de formas
onde me perco
Teoria das Cordas
que aglutinam 
o Universo
toca um choro leve
sincopado
harmonico
com teus gemidos
a mão do maestro
pauta em riste
adverte atenção
para as notas
fugitivas
sem normas
nem sinais
que confundem
o ato
e percorre
teu corpo
sedento
mãos duplas
de afagos
atração 
de cargas opostas
convergem
repete o acorde
metálico
afunda a tarde
no Amor
que chora
sorrindo


sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A Origem do Mundo


A Origem do Mundo - Gustave Courbet - Museu D'orsay 


Será um sonho
de Próspero?
Nau Moribunda 
em meio a Tormenta
Luz de Fada
alumia a senda
que acerca
tenebrosa
Tocha rubra
Espada chamejante
Olhos de Céu
De mar azul revolto
Brilha na Penumbra
tua chama
afasta as trevas

Castiçal de Velas
Athame
Copas
varinha de condão
O Mago
Faz seu feitiço
de Lua Nova
Alumbrada
a preferida
do harém
é invocada
trouxe-a desnuda
molhada
na fria luz da noite
teu corpo
meu corpo
um só...