Mi cigarrillo
companiero de las noches
que no me lo quito
ni siquiera me abandona
como el espíritu de la lámpara
llama de lucivelo
sobe blanco humo
sigue em hermosa danza
se pierde en la calle
sin esperanza
en tu encontro
de tus ojos sonrisos
Mi cigarrillo
companiero de las noches
que no me lo quito
ni siquiera me abandona
como el espíritu de la lámpara
llama de lucivelo
sobe blanco humo
sigue em hermosa danza
se pierde en la calle
sin esperanza
en tu encontro
de tus ojos sonrisos
A cidade a devorou aos poucos
como tantos loucos
perdidos nas noites
do Centro e da Cidade Baixa
Foi de amá-los todos
que se esvaiu aos poucos
no esgoto do tormento
maldição de nosso tempo
A cidade devorou-a aos poucos
dela nada restou...
A verdade que não é dita
pela fé do mundo:
Tudo muda
Nada permanece
Não existe divina justiça
Só a impermanência
da substancia
que no Todo se transubstancia
e se expande no Vazio Ignoto...
Acalenta teu coração
Fortalece tua alma
A MORTE É UM ATO SOLITÁRIO E INEXORÁVEL
QUAL SÓ AO MORIBUNDO INTERESSA
AOS VIVOS RESTA EGOÍSTA TRISTEZA
NAS EXÉQUIAS O FALSO CHORO
A PREOCUPAÇÃO SOBRE SI MESMO
NA VIDA ENTRE OS SERES SEXUADOS
A MORTALIDADE É A UNICA CERTEZA
CADA PASSO DO CAMINHO
CADA ROTA OU DESTINO
LEVA O SER AO SEU PRÓPRIO ENCONTRO
DA VIDA ESTE É O OBJETIVO
ATO SOLITÁRIO
QUE NENHUM AMOR OU AMIGO
NEM O PRÓXIMO CONTIGO
SERVE CONHECER
A NÃO SER TU MESMO
O RESTO É APENAS REFLEXO NO ESPELHO
DAS PRÓPRIAS CARENCIAS, DÚVIDAS E NECESSIDADES
GRILHÕES A QUE CADA UM SE ACORRENTA
"Iludido pela esperança
o homem dança nos braços
da morte":
disse o filósofo pessimista
Mas ainda prefiro dançar ao vento
à espera da hora finita
como louco dervixe
cultuo o deus da vida
e assim vou vivendo
cada momento
como connoisseur
de uma adega infinda
saboreando seus espíritos
raros tesouros
sempre se guardam
em caves profundas
um gari pede uma moeda
seu trabalho é árduo
e a fome não espera
como bizarro iogue
medito assim
em jejum profundo
sobre esta comédia
de ditirambos
quando jovem
me agradavam
as palavras fúteis
e os falsos hermetismos
nas coisas escritas
vivia a existência
em correto silogismo
já não guardo hoje
da lógica da vida
alguma esperança
ao perceber até onde
a compreensão
do povo alcança
pobres e ricos ensaiam
louca dança macabra
que os levam sempre
à cova profunda
da vida nada nunca se espera
na morte não há esperança
e quando nada esperamos
a felicidade por fim
nos ilumina
ao escutar ao longe
na calle ancha
um violino e uma flauta maviosa
que atravessa em falso sonido
numa linda tarde inverna...