"Há recessos desconhecidos na nossa mente que estão além do limiar da consciência relativamente construída. Não é correto designar esses recessos por subconsciência ou superconsciência. A palavra além é simplesmente usada porque é o termo mais conveniente para indicar o lugar. Mas o certo é que não há na nossa consciência nem além, nem debaixo nem em cima. A mente é um todo indivisível e não pode ser desagregada em pedaços" (D. T. Suzuki - Introdução ao Zen)

"Entrar na floresta sem mover a grama; entrar na água sem provocar nenhuma ondulação" (Zenrin Kushu)

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Cigarrillo

 Mi cigarrillo 


companiero de las noches


que no me lo quito


ni siquiera me abandona


como el espíritu de la lámpara


llama de lucivelo


sobe blanco humo


sigue em hermosa danza


se pierde en la calle 


sin esperanza


en tu encontro


de tus ojos sonrisos

sábado, 9 de março de 2024

Ela


A cidade a devorou aos poucos

como tantos loucos

perdidos nas noites

do Centro e da Cidade Baixa

Foi de amá-los todos

que se esvaiu aos poucos

no esgoto do tormento

maldição de nosso tempo

A cidade devorou-a aos poucos

dela nada restou...

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

A fé do mundo






A verdade que não é dita

pela fé do mundo:

Tudo muda

Nada permanece

Não existe divina justiça

Só a impermanência

da substancia

que no Todo se transubstancia

e se expande no Vazio Ignoto...


sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Oração do Esu Bará ( de Hermes )

Acalenta teu coração

Fortalece tua alma

Fecha teu corpo

Teus inimigos se refugiam nas sombras

Tomados de pavor

Plenos de ódio

Deles o destino já está escrito no Livro da vida

Gravado nas paredes do Templo Sagrado

Mahabharata de Brahma

Lá fora o Sol brilha radiante

E quando em vez chega a tormenta

Junto contigo conspira

Lança raios sobre as serpentes a espreita na trilha

Evita sempre a soberba

Foi entre os humildes que Ele veio pregar

Ajusta o facho do farol da Consciência

Mantém a chama da tua magia

A Vitória é sempre passageira

Tal qual barco do Triunfo que cruza o Estige

Mortal destino

Os cães sempre ladram pois nada melhor sabem fazer

A Lua é tua companheira

Vibra teu corpo no plenilúnio

Felicidade luminosa

Este teu pobre veículo um dia se esvairá

Ao vagar da mente em busca de novos mundos

Suspiro derradeiro

Pois somos todos passageiros deste astro que acolhe

Devas vagantes

Servos do Fogo de Tao

Gotas que retornam ao cósmico oceano
Pratica as oferendas

Livra teu corpo das teias do destino

Rompe as correntes

Percebe tua pequena parcela de Luz

Do Universo que se expande
No grande vazio profundo

Portento em busca da própria Origem

Saga infinita espaço tempo relativa

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Serenidade




A MORTE É UM ATO SOLITÁRIO E INEXORÁVEL


QUAL SÓ AO MORIBUNDO INTERESSA


AOS VIVOS RESTA EGOÍSTA TRISTEZA


NAS EXÉQUIAS O FALSO CHORO


A PREOCUPAÇÃO SOBRE SI MESMO


NA VIDA ENTRE OS SERES SEXUADOS


A MORTALIDADE É A UNICA CERTEZA


CADA PASSO DO CAMINHO


CADA ROTA OU DESTINO


LEVA O SER AO SEU PRÓPRIO ENCONTRO


DA VIDA ESTE É O OBJETIVO


ATO SOLITÁRIO


QUE NENHUM AMOR OU AMIGO


NEM O PRÓXIMO CONTIGO


SERVE CONHECER 


A NÃO SER TU MESMO


O RESTO É APENAS REFLEXO NO ESPELHO


DAS PRÓPRIAS CARENCIAS, DÚVIDAS E NECESSIDADES


GRILHÕES A QUE CADA UM SE ACORRENTA


sábado, 21 de janeiro de 2023

Azul Profundo


Vela leva a nau
para longe
linha do horizonte
bruma esconde a montanha
o povo aguarda o fim da tormenta
meu ai e outros ais
ali sucumbem
em meio a multidão
alarido constante
refresca a tarde afinal
já não pretendo pertencer
nem penso ou existo
despojar-me
despojar-te
ênclise e conclusão
nada a dizer...

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Vivere (Schopenhauer)




"Iludido pela esperança 

o homem dança nos braços

da morte": 

disse o filósofo pessimista

Mas ainda prefiro dançar ao vento

à espera da hora finita

como louco dervixe

cultuo o deus da vida

e assim vou vivendo

cada momento

como connoisseur 

de uma adega infinda

saboreando seus espíritos

raros tesouros 

sempre se guardam 

em caves profundas

um gari pede uma moeda

seu trabalho é árduo

e a fome não espera

como bizarro iogue

medito assim 

em jejum profundo

sobre esta comédia 

de ditirambos

quando jovem

me agradavam

as palavras fúteis

e os falsos hermetismos

nas coisas escritas

vivia a existência 

em correto silogismo

já não guardo hoje

da lógica da vida 

alguma esperança

ao perceber até onde 

a compreensão 

do povo alcança

pobres e ricos ensaiam

louca dança macabra

que os levam sempre

à cova profunda

da vida nada nunca se espera

na morte não há esperança

e quando nada esperamos

a felicidade por fim

nos ilumina

ao escutar ao longe

na calle ancha

um violino e uma flauta maviosa

que atravessa em falso sonido

numa linda tarde inverna...