"Há recessos desconhecidos na nossa mente que estão além do limiar da consciência relativamente construída. Não é correto designar esses recessos por subconsciência ou superconsciência. A palavra além é simplesmente usada porque é o termo mais conveniente para indicar o lugar. Mas o certo é que não há na nossa consciência nem além, nem debaixo nem em cima. A mente é um todo indivisível e não pode ser desagregada em pedaços" (D. T. Suzuki - Introdução ao Zen)

"Entrar na floresta sem mover a grama; entrar na água sem provocar nenhuma ondulação" (Zenrin Kushu)

sábado, 5 de novembro de 2016

O Tao Eterno






O Poeta Po Chu-i escreveu:
"Aqueles que falam nada sabem
Aqueles que sabem se calam"
Estas palavras, ao que me foi dito
Foram proferidas por Lao Tzu
Mas se devemos acreditar que Lao Tzu
Era um dos que sabiam,
Como explicar que ele tenha escrito um livro
De cinco mil palavras?

Eu já agora aqui assumo que nada sei
Nada mesmo algo sobre a vida 
Nem mesmo sobre o Tao Eterno
Sou um taoista muito mais pelo que me falta
Do que de certezas que na minha mente restam
Mas sei o que ELE não é
Não é Angustia ou Desespero
Nem fome inculta
de criança carente 
Não serve de emblema à ignorância
dos homens que se creem ilustres ou doutos
Nem tem a certeza dos evangelhos
Não é pecado, nem sentimento de culpa
Nem algum altar ocupa
Não-divindade amorfa
Nem preenche espaço algum
na vacuidade
Sem som, sem substância
Mas diz o sábio que ELE tudo abraça e alcança
Palavras fúteis se perdem ao vento
nesta solar fim da tarde...

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Liberdade Atônita





Semíramis bela cercada de finas plumas

olha absorta da bancada do jardim suspenso

o povaréu apressado em sua azáfama

na feira do mercado de Babilônia

sobe o odor impúdico do rebuliço das gentes

mercadores, mágicos e malabaristas

fazem seus reclames

encantam a plebe com seus trejeitos
   
as videntes mercadeiam esperança para os crédulos

outras mulheres negociam seus corpos

nas tabernas das vielas escuras e na porta do templo

punguistas ardilosos furtam velados pela multidão

no teatro de bonecos cercado de ouvintes atentos

gemidos de esmoleres com suas chagas expostas

imploram a piedade dos homens

e praguejam para os ávaros

ingênuos camponeses passantes incautos

com as bolsas cheias pela venda da safra

andam desavisados em meio aos sedentos lobos urbanos

Observa com inveja a musa divina

cativa deusa do harém do potentado

pomba prisioneira em gaiola de ouro e jóias

banhada em perfumes exóticos vindos de longe

rainha preferida entre tantas concubinas

inveja a liberdade das gentes simples

enquanto sorri melancólica

ao observar o movimento das ruas

que em vida nunca seus pés poderá tocar...




sábado, 27 de fevereiro de 2016

A Síntese da Filosofia Transcendente III – Consciência Cósmica e Antropoceno


Daisetz T. Suzuki
 “O Céu e a Terra procedem da mesma Fonte; As dez mil coisas e eu somos Um”

“Todo o Universo não é mais que a expressão de nossa própria mente”

“O mundo objetivo só pode sobreviver em minha própria subjetividade”

“O mundo objetivo não existe realmente até o momento de ser experimentado e apreendido por minha subjetividade”

“Cada coisa está em todas as demais”

“Cada coisa, cada objeto individual está em cada um dos outros objetos individuais”

“Isto é Prajñâ, a Sabedoria Transcendental, e quando se alcança essa intuição, se alcança o Zen. O Zen não é outra coisa que esse conhecimento intuitivo”

“A Intuição é Prajñâ ou Iluminação. Isto quer dizer: nenhum ser individual subsiste, mas existe algo que não é um objeto individual; há uma percepção de algo e esta percepção é Intuição”

“A mente se desprende, quer dizer, atua, funciona, fazendo frente a uma infinidade de situações distintas. Quando a mente olha a lâmpada, a enxerga iluminada; quando toca a mesa, a sente dura. Assim funciona a mente; quando o corpo é golpeado, sente o golpe. A mente move-se e funciona desta forma como percepção sensorial ao externo à medida que as coisas vem até nós. Este movimento da mente é sumamente sutil, obscuro e misterioso”

“Quando golpeio a mesa, sinto o golpe; mas, quem é aquele que sente? O quê é aquele que sente? Quando tentamos surpreender a esta pessoa, mente, alma ou espírito, e vê-lo não é possível fazer. Existe algo que se gostaria de surpreender de si mesmo, mas resulta impossível; a alma, o espírito está em constante e sutil movimento. Quando está atuando desta forma sutil é possível apoderar-se desse algo que não pode ser agarrado. No instante que é apreendido, então ocorre sabedoria real ou Prajñâ. Uma vez alcançada Prajñâ, se é absolutamente livre de todo o pesar, aflição, ou qualquer outra circunstância semelhante”

“Esta compreensão corresponde a Intuição. Apreender é somente agarrar e o tato, suponho, é o mais primitivo dos sentidos, pois proporciona de imediato e direto sentimento de identidade; daí a necessidade de agarrar, de colher com as mãos. A visão é o mais intelectual dos sentidos, e a audição está próxima, a partir desta perspectiva, à visão, mas há uma grande distância entre eles e seu objeto, enquanto que no tato há uma proximidade imediata. Devemos experimentar isso. É o mesmo que ocorre com a Intuição, não exatamente com a intuição relativa, senão com a Intuição Coletiva ou totalizadora. Quando esta surge, há verdadeira compreensão da realidade e verdadeira experiência de Iluminação. É isto que constitue o ensinamento do Zen, tal como foi comunicado por Yeno, Hui-neng ou Wei-lang no séc. VIII”  


( Budismo Zen - Daisetz T. Suzuki - Ed. Kairós - Barcelona - 1993 ) 



XIV - A Manifestação do Tao.


O que vê, mas não pode ser visto
chamamos invisível.
Seu verdadeiro nome é “semente”.
O que escuta, mas não pode ser ouvido
chamamos inaudível.
Seu verdadeiro nome é “sutil”.
O que toca mas nunca foi tocado
chamamos intangível.
Seu verdadeiro nome é “diminuto”.

Trindade esta incognoscível
que compõem o Grande Uno.

Não é por sua ascensão que existe a luz,
nem por sua profundidade que existe a escuridão.
Energias incessantes e contínuas
nenhuma pode ser definida
e acabam sempre revertendo ao Vazio.

A isso dá-se o nome de forma sem forma,
imagem do nada.
É também denominada inevitável, indeterminada,
Caos misterioso.

Indo ao seu encontro não lhe vemos o rosto,
seguindo-o não lhe vemos as costas.

Quando para dirigir os assuntos do presente imediato
entendemos as palavras dos antigos Sábios do passado
e trilhamos o Caminho Perfeito
podemos então finalmente compreender o sentido da vida
o fio condutor do Tao

(Tao Te King – Lao Tzu – Versão Poética: Julio Kling)


Lao Tzu


A Cosmologia ou ainda o estudo da Física subatômica carecem ainda de terminologias apropriadas para explicar ou nomear a maioria dos fenômenos intrínsecos na formação do Universo, e desconhecem as razões de sua origem e finalidade. Fritjof Capra, o escritor renomado que desvendou a sincronicidade entre ciência e taoismo adivinhou que muitos dos fenômenos verificados nos grandes colisores de partículas já haviam sido intuídos e previstos pelos antigos. Através da pura intuição, utilizando o método empírico formado pela acumulação da sabedoria dos antigos estudiosos e pela observação simples dos fenômenos da natureza Lao Tzu desvendou muitos segredos, mistérios que os cientistas contemporâneos estão ainda tentando conceituar de forma adequadamente científica e estabelecer uma hermenêutica apropriada. Os termos “semente”, “sutil” e “diminuto” nos versos acima poderiam servir para designar as propriedades físicas das sub-partículas, recém descobertas pelos físicos contemporâneos, que compõem a matéria existente em todo o Universo. Fótons, múons quarks, e neutrinos que compõem a matéria existente no Universo, podem ser classificados como partículas ou ondas conforme o observador. Sem instrumentos adequados ou abstrações matemáticas, estes fenômenos são para nós intangíveis, invisíveis e inaudíveis. São estas as virtudes ou atributos que servem para classificar tais energias através de nossa mente discricionária na sua ilusão cotidiana. A força da gravidade é um exemplo clássico, fenômeno que na prática conhecemos, mas não podemos mensurar ou quantificar com nenhum instrumento sem a ajuda de cientistas de maneira conceitual ou intelectual e que só recentemente foi identificado através da interação de distantes buracos negros. Entretanto sem esta força poderosa não existiria aquilo que denominamos a realidade de nosso Universo. Sem a força gravitacional de distantes estrelas não existiria a força da inércia, nosso planeta e toda a vida nele existente seria inviável. Essa é a concepção dos antigos mestres chineses, o Universo é composto de um todo perfeitamente contínuo, os objetos aparentemente individuais agem e reagem com todos os demais no mundo físico, vibrando em ondas, dependente, por atribuição, da alternância rítmica em todos os níveis das duas forças fundamentais, o Yin e o Yang. Dessa maneira cada objeto possui sua ressonância intrínseca, integrados que estão no padrão geral de harmonia do Universo.

A atual corrente de cosmólogos pretende vislumbrar o que ocorreu antes do tempo de Planck quando logo após o Big Bang a matéria como energia passou por mudanças dramáticas naquele momento infinitesimal de tempo (10 na quadragésima terceira potência negativa segundos) quando se sucedeu a ocorrência da explosão inicial, que permitiu a expansão das três dimensões espaciais conhecidas que deu origem ao Universo como o conhecemos em sua estrutura quadridimensional (altura x largura x profundidade) ao longo da linha do tempo, a quarta dimensão, fazendo valer a Lei da Relatividade. O conceito de Vazio, tão caro aos sábios do Oriente começa a ser estudado a partir de uma visão especulativa dos grandes cientistas.

Outra questão em relação à expansão do Universo que aflige os cosmólogos é até quando ela irá ocorrer, e nesse caso, quando a energia do Big Bang chegará ao seu fim com a entropia do processo de expansão, Segundo o modelo cosmólogico o Universo como um todo surgiu de uma explosão cósmica violenta ou uma singularidade cerca de 15 bilhões de anos atrás. Hoje sabemos que os bilhões de galáxias que se formaram ainda conservam um movimento expansivo. O que os cientistas ainda não sabem é se esse crescimento cósmico continuará para sempre ou se chegará um tempo que esta expansão perderá sua energia e dará lugar a uma contração que levará o Universo a uma implosão cósmica (Big Crunch). Os cientistas envolvidos com a física das estrelas estão tentando resolver experimentalmente essa questão já que envolve parâmetros que podem ser medidos: a densidade média da matéria no Universo.

Se a densidade média da matéria for maior do que a chamada densidade crítica - cerca de um centésimo de bilionésimo de bilionésimo de bilionésimo (10 na vigésima nona potência negativa) de grama por centímetro cúbico, o que equivale a cinco átomos de hidrogênio para cada metro cúbico do Universo, então a força gravitacional que permeia o cosmos será suficiente para reverter a expansão. Se a densidade média da matéria for menor que o valor crítico, a atração gravitacional não conseguirá reverter a expansão, que continuará até o fim dos tempos. Pode-se pensar levando em conta a massa do sistema solar e das galáxias que a densidade média pode ultrapassar em muito a densidade crítica, mas isso não é ainda comprovável, pois existem grandes vazios no espaço entre os corpos celestes. Pelo estudo da distribuição das galáxias os astrofísicos têm uma ideia bem aproximada da quantidade média de matéria visível no Universo. Esse valor é significativamente menor do que a densidade crítica. Mas existem fortes indícios, tanto teóricos quanto experimentais, de que o Universo contém enormes quantidades de matéria escura. Esse é um tipo de matéria que não participa dos processos de fusão nuclear que ilumina as estrelas e, portanto não emite luz, sendo assim invisível aos observatórios ópticos. Ninguém ainda conseguiu decifrar a identidade da matéria escura e menos ainda sua massa real. Por isso o destino de nosso Universo ainda é incerto. 

Para efeito de vislumbrar algumas possibilidades, amparados pela ciência, vamos supor que a densidade média da matéria supere o valor crítico e que algum dia, no futuro distante, a expansão cessará e o Universo começará a contrair-se. Todas as galáxias começarão a aproximar-se lentamente uma das outras e, com o passar das eras, a sua velocidade de aproximação aumentará cada vez mais até tornar-se estonteante. Imagine o Universo contraindo-se em uma massa cósmica cada vez menor. A partir de um tamanho máximo de muitos bilhões de anos-luz, o Universo se contrairá progressivamente, diminuindo para alguns milhões de anos-luz, sempre acelerando a velocidade de contração e, portanto fazendo com que tudo se comprima primeiro no volume de uma só galáxia, depois no de uma estrela, de um planeta, de uma laranja, de uma ervilha, um grão de areia, e, de acordo com a relatividade geral, no volume de uma molécula, de um átomo, e no final inexorável da contração cósmica, até alcançar o volume zero. De acordo com a teoria conhecida foi de um volume zero que o Universo teve início. 

Conforme os antigos brâmanes é esta a definição do ocaso do dia de Brahma que retornará ao seu sono divino até o surgimento de um novo dia, isto é, uma singularidade que dê início a um novo Universo que dure mais uma miríade de eras. Segundo o mito indiano, Brahma após surgir de seu ovo de ouro, símbolo dos princípios não criados e não manifestados que compunham a base de toda a criação, e então forma o mundo material, como força fecundante e criadora da Natureza. Depois desse período, ao serem novamente os mundos destruídos, Brahma se desvanece com a natureza objetiva e vem em seguida a Noite de Brahma. O Dia de Brahma é o vastíssimo período da manifestação ou atividade do Universo, oposto à Noite de Brahma, período de dissolução e repouso, o Pralaya. Assim quando o Dia de Brahma termina e ele vai dormir, o Universo é destruído por Shiva. Quando Brahma acorda, cria novamente o Universo e um novo ciclo reinicia. E a criação é realizada por Shiva. O mito indiano pode ser interpretado como mais uma visão profética da sabedoria dos antigos ao observar a sucessão de fenômenos da natureza e do movimento das estrelas.

Será uma Mente Absoluta o agente ordenador da Criação, uma Vontade Cósmica que permeia o Todo? Era essa a noção que os sábios do passado pretendiam passar em suas mensagens esotéricas? Os mitos dos povos escondem uma sabedoria que emerge do neolítico como filosofia milenar para entendimento de alguns poucos. Enquanto o povo sempre foi convencido e catequizado através de imagens antropomórficas e zoomórficas de divindades e rituais complexos, os antigos sábios e sacerdotes do passado sabiam tratar sua fé como influência de forças titânicas que regem os caminhos da eternidade.

Do macro ao microcosmo as formas da matéria estabelecem um ordenamento próprio, em partículas viajando à velocidade da luz no Universo no plano macroscópico e também o mesmo ocorre no plano microscópico, à nível molecular, nos organismos formadores da vida e suas trocas eletroquímicas que promovem a evolução e a sobrevivência das espécies. Sinapses conduzindo a energia de elétrons que se movem em velocidades alucinantes controlando os sistemas parassimpáticos que controlam os organismos vivos e suas emoções e instintos básicos através de processos eletroquímicos. Será tudo isso fruto do acaso?




Os brâmanes chamam esta era atual de Manvatara (Manuvantara, do sânscrito = era de manu: man, humano, humanidade) O prefixo manu refere-se ao progenitor da humanidade para os brâmanes, sendo o termo Manvatara a designação de um período astronômico de medição do tempo segundo a tradição hinduísta. É o período de tempo do ciclo de existência dos planetas, da manifestação do mundo dos fenômenos que antecede o Pralaya, a dissolução. Alguns acreditam tratar-se da própria respiração da divindade que compreende os dois períodos, como expiração e inspiração cósmica. Parece corresponder a uma alegoria exata dos fenômenos cósmicos que só agora os cientistas começam a tratar, tentar entender e dar um sentido de falsa laicidade técnica a antigos conhecimentos empíricos dos sábios do passado. 

O fio condutor da consciência como identidade própria da Vontade Cósmica, Ente Impessoal, sem forma material, habitando além das dimensões conhecidas e em conexão direta com nosso Universo. Habita como observador em cada individuo e no Todo. Foi testemunha da grande expansão Yang da singularidade formadora do Universo e será também testemunha do "gran finale" daqui a miríades de eras, quando tudo retornará ao começo, num processo Ying em direção à nova semente cósmica. Nossa estupefação perante a conservação da vida é a dessa Vontade também, como mencionou Schopenhauer. Existe um Algo além do Véu que nem mesmo seu Agente pode alcançar, pois senão seria conhecimento acessível a cada unidade da Criação. É por isso que ansiamos tanto desvendar os mistérios do Universo e da Vida, para levar este conhecimento à Mente Absoluta. É a Iluminação das partes que promovem a descoberta do Todo sobre o sentido da Vida. O medo da morte não é da unidade, mas do Todo que se reconhece imortal. O fio condutor da consciência continuará presente por eras, mas aquilo que chamamos "eu" não tem razão de perpetuar-se e seria na verdade uma maldição se tal ocorresse. Esta é uma hipótese, como tantas outras que habitam a literatura cosmológica, de impossível constatação científica, a partir dos atuais conhecimentos da física contemporânea.

Dentro deste conceito orgânico de Universo podemos imaginar que muitos foram os seres que atingiram nosso grau de evolução e tecnologia. Muitas devem ser as civilizações com o nosso nível de desenvolvimento que foram extintas no cosmo. Estamos também longe ainda de dar o grande passo que é a exploração de novos horizontes, presos ao planeta e qualquer grande catástrofe planetária pode significar o fim da humanidade. O planeta continua dividido em linhas imaginárias onde os grupos humanos promovem o sectarismo, o etnocentrismo e a exploração do meio e do mais fraco pelo mais forte, em escala descendente circular: do país para a nação, da tribo para o individuo, do geral para o particular. A superpopulação e a transformação dramática da biosfera e da atmosfera da terra pela humanidade marcam a nova era classificada pelos cientistas de Antropoceno.

Stephen Hawking
Outro grande expoente da cosmologia contemporânea, Steve Hawking, adverte a humanidade sobre a nova era:“Os seres humanos poderiam sobreviver se colonizassem outros planetas e estrelas antes que o desastre ocorra,” disse ele.

“Mas agora estamos entrando em um período particularmente perigoso, já que os seres humanos ainda não estabeleceram um plano de backup cósmico,” acrescentou.

“Nós não vamos estabelecer colônias autossustentáveis no espaço, pelo menos não nos próximos cem anos, então temos que ser muito cuidadosos durante este período,” disse Hawking.

http://www.cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FMeio-Ambiente%2FAntropoceno-a-grande-obra-do-capitalismo%2F3%2F35274

Antropoceno e a Sexta Extinção –

O termo Antropoceno (da palavra grega anthropos, homem) foi cunhado na década de 1980, pelo cientista ambientalista americano Eugene Stoermer, para demarcar o período geológico quando ocorreu o impacto maior das populações humanas no planeta. Agora, porém, já merece ser oficialmente incorporado ao vocabulário dos geólogos, afirmam os especialistas.

A proposta é defendida em um estudo publicado pela revista "Science", liderado por Colin Waters, cientista do Serviço Geológico Britânico. Segundo o geólogo, o Antropoceno passou a exibir a maior parte de seus sinais distintivos a partir de 1950, e encerra a época do Holoceno, que começou há 11.700 anos, isto é, ao fim da última glaciação.

"Os depósitos antropogênicos recentes contém novos tipos de rochas e minerais, refletindo uma rápida disseminação global de alumínio puro, concreto e plástico", afirma o estudo. "A queima de combustíveis fósseis disseminou fuligem, esferas de cinza inorgânica e partículas carbonáceas esféricas por todo o mundo."

A Comissão Internacional de Estratigrafia vai definir em 2016 se a espécie humana é a maior força natural do planeta, fato que não carece de maior explicação levando em conta entre outros sinais a radioatividade já liberada em mais de dois mil testes nucleares ocorridos no meio ambiente planetário pelo ser humano. Apesar de relativamente breve, esse intervalo resultou em um excesso de carbono -14 - uma versão mais pesada do átomo de carbono - que será depositado no estrato geológico em formação agora. Argumentos para estabelecer a nova era não faltam: metade das florestas do planeta foi destruída, mais de 50% das populações de vertebrados, o que envolve pássaros, peixes, anfíbios, mamíferos, foram extintos, o mesmo valendo para populações de espécies anfíbias e peixes de água doce ou marinha. Anualmente os extratores coletam das entranhas da terra dois bilhões de toneladas de ferro, 15 milhões de toneladas de cobre – somente os Estados Unidos extraem três bilhões de toneladas de minérios modificando para sempre a face da Terra.

Waters e seus colaboradores apelidaram de “tecnofósseis” esses materiais propensos a sobreviver no futuro. Ele e pesquisadores de outras 21 instituições que assinam o estudo afirmam que o Antropoceno já possui "estratigrafia" - a identificação de épocas geológicas pela deposição de camadas no solo – particular e distinta daquela do Holoceno.

Além das mudanças em camadas geológicas, paleontólogos num futuro distante serão capazes de identificar o evento de extinção em massa de espécies ocorrido nesta era. Trabalhos citados pelo estudo indicam que o planeta está no rumo de perder 75% das espécies vegetais e animais nos próximos séculos.

O estudo publicado na "Science" ainda mapeia outros sinais da presença humana no planeta que devem perdurar ao longo das eras. Um deles é a mudança na deposição de sedimentos causada pela urbanização, pelo desmatamento e pela construção de represas. Aproximadamente 272 milhões de toneladas de plásticos são produzidas em 192 países, sendo uma razoável parcela: entre 4,8 milhões e 12 milhões são jogadas nos oceanos e navegam nas grandes correntes do planeta, e em relação aos recursos hídricos globais 57 mil represas construídas pela engenharia humana drenaram metade das zonas úmidas e retêm 6.500km3 de água, algo equivalente a 15% do fluxo hidrológico dos rios. Sem contar os 2,3 gigatoneladas de sedimentos retidos nos reservatórios que nos últimos 10 anos resultou em 85% dos deltas dos grandes rios serem inundados pelo mar.

“A riqueza da humanidade adulta de 4,7 bilhões de pessoas é de US$240,8 trilhões (2013), 68,7%, mais de dois terços dos indivíduos adultos situados na base da pirâmide de riqueza possuem 3% - US$7,3 trilhões da riqueza global, com ativos de no máximo 10 mil dólares. No topo da pirâmide – 0,7% dos adultos possuem 41% da riqueza mundial ou o equivalente a US$98,7 trilhões de dólares. Somados os estratos superiores da pirâmide – 393 milhões de pessoas, 8,4% da população adulta – detêm 83,3% da riqueza global.” (Prof. Luiz Marques, da UNICAMP- Capitalismo e Colapso Ambiental)

Para completar: 500 milhões das pessoas mais ricas no planeta, que habitam as nações do hemisfério norte, produzem metade das emissões de CO2, enquanto os três bilhões mais pobres emitem somente 7%.

Carl Sagan

Carl Sagan em sua obra: “Reflexões sobre Vida e Morte na Virada do Milênio”, uma coletânea de seus textos editada pela esposa após sua morte, advertiu: “O carvão, o óleo e o gás são chamados combustíveis fósseis, porque são compostos principalmente de resíduos fósseis de seres remotos. A energia química que existe dentro deles é uma espécie de luz do Sol armazenada, originalmente acumulada pelas plantas antigas. A nossa civilização funciona pela queima de resíduos de criaturas humildes que habitaram a Terra centenas de milhões de anos antes que os primeiros humanos aparecessem na cena. Como num terrível culto canibal, subsistimos dos corpos mortos de nossos ancestrais e parentes distantes.”

“Essa dependência significa que as nações tudo farão para manter suas fontes de suprimento. Os combustíveis fósseis foram fatores importantes na condução das duas guerras mundiais. A agressão japonesa no início da Segunda Guerra foi explicada e justificada pelo fato dos japoneses terem sido obrigados a salvaguardar suas fontes de óleo. Como a Guerra do Golfo Pérsico em 1991 nos lembra, a importância política e militar dos combustíveis fósseis continua em alta.”

Segundo Carl Sagan é esta a razão principal para que os EUA pretendam ser a polícia do mundo. Já em 1990 o importante colunista Jack Anderson reafirmava tal política e comentava: “Num nível puramente egoísta, os norte americanos precisam do que o mundo tem – sendo o petróleo a necessidade preeminente”. Segundo Bob Dole, na época líder da minoria no senado, a Guerra do Golfo Pérsico – que pôs em risco a vida de 200 mil jovens norte americana (e milhões de civis dos países atingidos) – foi empreendida “por uma única razão: P-E-T-R-Ó-L-E-O”.

“No entanto, agora os governos e os povos da Terra estão se tornando gradativamente conscientes de mais outra consequência perigosa da queima de combustíveis fósseis: se queimo um pedaço de carvão, um galão de petróleo ou trinta centímetros cúbicos de gás natural, estou combinando o carbono no combustível fóssil com o oxigênio do ar. Essa reação química libera uma energia trancada há talvez 200 milhões de anos. Mas ao combinar um átomo de carbono, C, com uma molécula do gás oxigênio, O+O, também sintetiza uma molécula do gás dióxido de carbono, CO2”

C+O2→CO2 (Gás Estufa)  
  
O Antropoceno também é distinto dos demais períodos do ponto de vista da mudança climática global, causada pelo aumento da concentração de gases do efeito estufa, dizem os pesquisadores

"As concentrações atmosféricas de gás carbônico e metano se distanciam do Holoceno começando por volta de 1850 e mais acentuadamente em 1950", advertem os cientistas.

As mudanças são visíveis tanto na análise de sedimentos depositados mais recentemente quanto no gelo que vem se formando em regiões polares há milhares de anos. Geólogos usam "testemunhos" das eras passadas, longas colunas de geleiras perfuradas utilizando as técnicas de perfuração dos estratos mais baixos, para analisar a composição dos gases atmosféricos capturados em bolhas no gelo e analisar a atmosfera existente há milhares de anos atrás.

Algumas mudanças detectadas são mais sutis, mas também distintivas. Duas delas são a elevação da temperatura, que chega a uma média global de 0,9°C acima do natural, e o aumento no nível do mar, numa média de 3,2 mm por ano após a década de 1990. Os números podem parecer pequenos, mas não há registro de que tenham sido assim nos últimos 14 mil anos.

Se o aquecimento global continuar desenfreado, dizem os pesquisadores, a população humana vai encerrar não apenas o Holoceno, uma "época geológica", mas também o Quaternário, um "período geológico" - recorte de tempo maior, iniciado 2,6 milhões de anos atrás.


http://outraspalavras.net/posts/quarenta-anos-de-procrastinacao/ 
  
Em uma reunião na sede da Exxon Corporation na década de setenta, um cientista sênior chamado James F. Black dirigiu-se a um grupo de poderosos homens do petróleo. Falando sem texto enquanto passava por slides detalhados, Black transmitiu uma séria mensagem: o dióxido de carbono oriundo do uso mundial de combustíveis fósseis iria aquecer o planeta e poderia eventualmente colocar a humanidade em perigo.

“Em primeiro lugar, existe um consenso científico geral de que a maneira mais provável pela qual a humanidade estaria influenciando o clima global seria pelo dióxido de carbono liberado na queima de combustíveis fósseis”, Black disse ao Comitê Gerencial da Exxon, segundo uma versão escrita que ele registrou mais tarde.

Era julho de 1977 quando os líderes da Exxon receberam essa avaliação contundente, bem antes de o resto do mundo ouvir falar sobre a crise climática iminente.

Um ano depois, Black, um especialista técnico do topo da divisão de Pesquisa e Engenharia da Exxon, levou uma versão atualizada da sua apresentação para uma audiência maior. Ele alertou os cientistas e gerentes da Exxon de que pesquisadores independentes haviam estimado que uma duplicação da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera elevaria a temperatura média global em 2 a 3 graus Celsius (4 a 5 graus Fahrenheit),   poderia chegar a 10 graus Celsius (18 graus Fahrenheit) nos pólos. As chuvas ficariam mais fortes em algumas regiões, e outros lugares se tornariam desertos. “De acordo com o conhecimento atual”, ele escreveu no resumo de 1978, “estima-se que o homem tenha uma janela de cinco a dez anos antes que a necessidade de que decisões duras sobre mudanças nas estratégias energéticas se tornem críticas”

Vários grupos científicos têm empregado modelos computacionais para calcular qual deverá ser o aumento da temperatura global, se, digamos dobrar a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera, o que vai acontecer se for mantido a atual queima de combustíveis fósseis no final do século XXI. Os principais oráculos são o Laboratório Geofísico de Dinâmica Fluída da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), em Princeton; o Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA, em Nova York; o Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica em Boulder, Colorado; o Laboratório Nacional Lawrence Livermore do Departamento de Energia, na Califórnia; a Universidade do Estado de Oregon; o Centro Hadley para Predição e Pesquisa Climática, no Reino Unido; e o Instituto Max Planck de Meteorologia, em Hamburgo. Todos são unânimes em predizer tais dados.

É o aumento mais rápido do que qualquer mudança climática observada desde o começo da civilização. Ocorrendo a previsão mais baixa, ao menos as sociedades industriais desenvolvidas seriam capazes de ajustar com um pouco de esforço às circunstâncias alteradas. Ocorrendo a previsão mais alta, o mapa climático da terra seria dramaticamente alterado, e as conseqüências tanto para as nações ricas como para as pobres, seriam catastróficas. Em grande parte do planeta, temos confinado as florestas e a vida selvagem em áreas não contíguas. Esses seres serão incapazes de procurar outros lugares, quando o clima mudar. As extinções de espécies serão mais aceleradas. Serão previstos grandes deslocamentos humanos, que já vem ocorrendo em quantidade crescente dos lugares mais quentes para áreas mais temperadas movidos pelas mudanças do clima e pelos conflitos originados pela falta de alimentos e ganância dos grandes grupos econômicos sediados em seus santuários protegidos do Primeiro Mundo. O tapete representado pela biosfera e seu conjunto de biomas, já retalhado em pedaços, começará a desfiar-se de forma irreversível. Milhões de pessoas, com os filhos morrendo de fome, com muito pouco a perder, representam um problema prático e sério para os mais ricos, como ensina a história dos conflitos e revoluções.

A Exxon, a partir das advertências de Black, na época, responde rapidamente. Em meses a companhia lançou sua própria pesquisa extraordinária sobre o dióxido de carbono dos combustíveis fósseis e seu impacto na Terra. O programa ambicioso da Exxon incluía tanto amostragem empírica de CO2 quanto modelagem climática rigorosa. Ela reuniu um grupo de especialistas com alto conhecimento técnico que iria dedicar mais de uma década aprofundando o conhecimento da companhia sobre esse problema ambiental que oferecia um risco de vida ao ramo do petróleo.
Então, ao final da década de 1980, a Exxon diminuiu sua pesquisa sobre o dióxido de carbono. Ao invés disso, nas décadas que se seguiram, a Exxon trabalhou na linha de frente da negação climática (climate denial). A empresa dedicou a sua musculatura para reforçar a produção de dúvidas sobre a realidade do aquecimento global que seus próprios cientistas um dia constataram. Ela articulou politicamente esforços para bloquear ações federais e internacionais de controle de emissões de gases de efeito estufa e com isso ajudou a construir um vasto edifício de desinformação que se mantém de pé até o dia de hoje.
A Exxon ajudou a fundar e liderar a Coalizão Climática Global, uma aliança entre algumas das maiores companhias do mundo que buscava deter os esforços governamentais de redução das emissões oriundas de combustíveis fósseis através do seu lobby. A Exxon usou o American Petroleum Institute, um think tank de direita, contribuições de campanha e seu próprio lobby para impor uma narrativa de que a ciência climática era incerta demais para que se exigissem reduções em emissões de combustíveis fósseis.
Enquanto a comunidade internacional se movimentava em 1997 para dar o primeiro passo na redução de emissões via Protocolo de Kyoto, o presidente e CEO da Exxon, Lee Raymond, defendeu a sua interrupção.
“Concordemos que há muito que nós ainda não sabemos realmente sobre como o clima irá mudar no século XXI e além”, Raymond disse em seu discurso à frente do Congresso Mundial de Petróleo em Pequim, em outubro de 1997.
“Nós precisamos entender melhor essa questão e, felizmente, nós temos tempo”, ele disse. “É altamente improvável que a temperatura no meio do próximo século seja significativamente alterada se as políticas forem adotadas agora ou daqui a 20 anos”.
Ao longo dos anos, vários cientistas da Exxon que haviam confirmado o consenso climático durante as pesquisas iniciais, foram para o lado de Raymond, disseminando visões que andavam na contramão do mainstream científico mundial. Entretanto, até mesmo Carl Sagan, um cientista conservador conhecido pelo establishment dos EUA como um astro pop da divulgação científica, em seus últimos anos de vida, não pode deixar de alertar os perigos que a humanidade irá enfrentar com o aquecimento global, enquanto a Exxon insiste em permanecer na contramão visando manter seus resultados e acalmar seus acionistas ávidos por cada vez mais lucros.
E Carl Sagan explica: “Por si só o aquecimento global não gera um clima ruim. Mas intensifica a possibilidade de haver um clima ruim. O mau tempo certamente não requer aquecimento global, porém todos os modelos computacionais mostram que o aquecimento global deve ser acompanhado de aumentos significativos de mau tempo – secas rigorosas no interior, sistemas de tempestades violentas e enchentes perto das costas, tempo mais quente e mais frio em certas regiões, tudo provocado por um aumento modesto na temperatura média planetária.” 
Noam Chomsky
Noam Chomsky é com certeza uma das vozes acadêmicas mais respeitadas no Ocidente. Sua visão dos acontecimentos atuais é antes de tudo uma grave advertência que temos obrigação de escutar com atenção redobrada. Uma das suas hipóteses mais interessantes sobre os conflitos existentes hoje no planeta consiste em comparar os efeitos das intervenções armadas do Pentágono com as conseqüências do aquecimento global.


Na guerra em Darfur (Sudão), por exemplo, convergiram os interesses das potências ocidentais e a desertificação que expulsa toda a população das zonas agrícolas, o que agrava e aprofunda os conflitos étnicos e religiosos na região subsaariana. “Essas situações desembocam em crises espantosas, e algo parecido acontece na Síria, onde se registra a maior seca da história do país, que destruiu grande parte do sistema agrícola, gerando deslocamentos, exacerbando tensões e conflitos”, reflete.


Chomsky acredita que a humanidade ainda não pensa com mais atenção e nem tem consciência real sobre o que significa essa negação do aquecimento global e os planos em longo prazo dos parlamentares republicanos norte americanos, que são regiamente financiados pelas corporações petrolíferas, e que pretendem acelerá-lo: “se o nível do mar continuar subindo e se elevar muito mais rápido, poderá engolir países como Bangladesh, afetando a centenas de milhões de pessoas. Ou os glaciares do Himalaia diminuírem de forma abrupta, pondo em risco o fornecimento da água potável para o sul da Ásia. O que vai acontecer com esses bilhões de pessoas? As consequências iminentes são horrendas, este é o momento mais importante da história da humanidade”.

Chomsky crê que estamos diante um ponto crucial da história, no qual os seres humanos devem decidir se querem viver ou morrer: “digo isso literalmente, não vamos morrer todos, mas sim se destruiriam as possibilidades de vida digna, e temos uma organização chamada Partido Republicano que quer acelerar o aquecimento global. E não exagero, isso é exatamente o que eles querem fazer”.


Logo, ele cita o Relógio do Apocalipse, para recordar que os especialistas sustentam que na Conferência de Paris sobre o aquecimento global foi impossível conseguir um tratado vinculante, somente acordos voluntários. “Por que? Simples: os republicanos não aceitariam. Eles bloquearam a possibilidade de um tratado vinculante que poderia ter feito algo para impedir essa tragédia massiva e iminente, uma tragédia como nenhuma outra na história da humanidade. É disso que estamos falando, não são coisas de importância menor”.

Chomsky não é de se deixar impressionar por modas acadêmicas ou intelectuais. Seu raciocínio radical, isto é, que alcança a raiz dos problemas e sereno busca evitar o furor, e talvez por isso não joga palavras ao vento sobre a anunciada decadência do império. “Os Estados Unidos possuem 800 bases ao redor do mundo e investe em seu exército tanto quanto todo o resto do mundo junto. Ninguém tem algo assim, soldados lutando em todas as partes do mundo. A China tem uma política principalmente defensiva, não possui um grande programa nuclear, embora seja possível que cresça”.


O caso da Rússia é diferente. É a principal pedra no sapato da dominação do Pentágono, porque “tem um sistema militar enorme”. O problema é que tanto a Rússia quanto os Estados Unidos estão ampliando seus sistemas militares, “ambos estão atuando como se a guerra fosse possível, o que é uma loucura coletiva”. Chomsky acredita que a guerra nuclear é irracional e que só poderia suceder em caso de acidente ou erro humano. Contudo, ele concorda com William Perry, ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos, que disse recentemente que a ameaça de uma guerra nuclear hoje é maior que durante a Guerra Fria. O intelectual estima que o risco se concentra na proliferação de incidentes que envolvem as forças armadas de potências nucleares. A impressão que ele tem, e que expressa em seus gestos e reflexões, é que se as potências agredidas pelos Estados Unidos atuassem com a mesma irresponsabilidade que Washington, o destino do planeta estaria perdido.


Aquecimento global produzido por gases de efeito estufa, emissão de gases CFC na atmosfera, destruição de biomas com milhares de anos de existência nos trópicos para abrigar pastagens de imensos rebanhos de bovinos emissores de grandes quantidades de metano na atmosfera, para suprir sua indústria de abatedouros, destruição do permafrost pelo aquecimento nas áreas boreais, com conseqüente mais emissão de gás estufa metano na atmosfera, exploração mineral sem limites e produção desenfreada de lixo industrial e de consumo, conflitos de baixa intensidade, com o consequente deslocamento de milhões de pessoas de suas moradias e a constante ameaça nuclear e o controle cibernético crescente de povos que antes gozavam de certa liberdade individual marcam o Antropoceno como uma nova era onde o homem deixará sua marca mortal sobre a face da Terra, mesmo sabendo que ainda não conseguiu libertar-se da superfície planetária para conquistar outros mundos, o que demonstra sua perdulária ignorância e seu desprezo pelo único meio ambiente onde habita.

E assim caminha a humanidade em direção ao desastre iminente. Poucas foram as medidas adotadas nos últimos 35 anos pelos governos influenciados pelas grandes corporações para corrigir e eliminar a emissão de gases estufa. Países desenvolvidos e em desenvolvimento não conseguem chegar a um consenso, pois os baixos índices de crescimento de produção em economias em plena recessão no início do século XXI impõem aos governos fazer vistas grossas à questão ambiental em detrimento da questão econômica. Os altos custos com desastres naturais, conflitos e migrações em massa devem ser levados em conta pelas nações do mundo como uma ameaça real e duradoura no futuro próximo.
A energia do Todo que deu origem ao Big Bang é imensa. Possivelmente existem outros seres em situação similar no Universo, isolados e a beira do esgotamento de seus recursos planetários seguindo céleres em direção a extinção auto imposta em função de uma evolução que se tornou um beco sem saída genético onde a tecnologia em vez de ser um fator determinante de sucesso transformou-se num calcanhar de Aquiles evolucionário. O Universo não carece do resultado de todo seu experimento vital do ponto de vista restrito em determinado lugar específico. Como moto - continuo da evolução da matéria para a vida elementar pode abrir mão de parte de sua criação sem maiores problemas. Existe muita matéria prima no Todo para novas tentativas e fracassos, quase em escala infinita. Em nosso planeta vários cataclismos já extinguiram a quase totalidade da vida existente por milhões de anos. É o planeta que gera a vida e mesmo sem nós continuará sua obra solitária perdido no extremo da Via Láctea, um pequeno ponto azul entre bilhões de outros, numa galáxia imersa num Universo com bilhões de outras galáxias similares seguindo em suas órbitas vertiginosas pelo imenso espaço em uma rota desconhecida. 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A Síntese da Filosofia Transcendente II

Universo

Vê! Tu te tornaste a luz e o som, és teu Mestre e teu Deus. Tu próprio és o objeto de tua procura: a Voz ininterrompida, que ressoa através de eternidades, isenta de mudança e de pecado, os sete sons em um,  a Voz do Silêncio.

Om Tat Sat*
(A Voz do Silêncio – Helena Blavatsky - 1831-1891)

*Nota do Autor: Om Tat Sat – do sânscrito é a tripla designação da divindade (Brahman), identificando com a sílaba OM, sua universalidade, com a sílaba TAT a sua existência real e eterna , com SAT. Segundo Helena Blavatsky em seu Glossário Teosófico: Aquele a quem a fraseologia moderna se refere como Espírito e Matéria, é UM na eternidade como Causa perpétua e não é Espírito nem Matéria, mas Ele, traduzido em sânscrito como Tad (ou Tat), “Aquele”, ou seja tudo o que é, foi ou será, tudo o que é capaz de ser concebido pela imaginação do homem (Doutrina Secreta,I,595)

E diga-me: a história que os místicos e sábios contam pelo mundo todo são mais loucas que a história do materialismo científico, que conta que toda a sequência é um conto narrado por um idiota, cheio de som e fúria, sem absolutamente nenhum significado? Prestem bem atenção: qual dessas duas histórias realmente soa completamente insana?
(Uma Breve História do Universo – Ken Wilber -2001)




A partir do séc. XIX atualiza-se o conceito filosófico de transcendental em relação aos princípios religiosos e deístas da escolástica, com filósofos como Fichete, Hegel e Schopenhauer, este último profundamente afetado com os conhecimentos eruditos das religiões orientais que começavam a penetrar a Europa do seu tempo. Nesta fase o transcendental é considerado a origem primeira de tudo. Transcendental pode referir-se ao transfenomenal, o que está por atrás das aparências. O que está para além do escopo quer da razão quer da experiência, mas presumivelmente dentro do campo da fé ou do idealismo subjectivo. De uma forma geral, transcendental é o que ultrapassa algo, o que está para além de algo. Está muito relacionado com transcendente, e conforme o significado atribuído ao transcendente, assim temos o sentido de transcendental. É neste campo do conhecimento, por analogia, os mecanismos que atuam por trás da cena daquilo que acreditamos ser a realidade. Como os maquinários que controlam a cena em uma peça de teatro cujo tema é a Criação da Vida.

A questão é: o que distingue a sabedoria da ciência? Do ponto de vista puramente histórico, cabe mencionar que a filosofia dos gregos em seus primeiros passos equiparava-se absolutamente com a ciência universal. Mas uma e outra vez ficou evidente que só o saber não é o suficiente para a filosofia: não só queremos reunir conhecimentos, senão que, além disso, se ambicionam lograr normas de vida mais abrangentes. Não só queremos compreender isso ou aquilo, sendo que, queremos poder observar um Todo da grande obra. Não se trata somente das leis da realidade, mas do sentido do mundo e da vida humana. Compreendida desta forma, a filosofia é uma ciência de carácter particular, cuja missão pode considerar-se, pois, em ambicionar a Sabedoria.
      
Dando prosseguimento na nossa jornada de desvelamento do que existe por trás daquilo que acreditamos tratar-se de “a realidade”, mas que na  verdade, segundo os antigos, trata-se apenas de Maya, a ilusão da existência e dos sentidos, vamos tentar aumentar nossa visão do Universo que nos cerca utilizando um telescópio imaginário postado na mente em direção a uma síntese cósmica.

Os pitagoristas criaram o termo Kosmos, que geralmente traduzimos como cosmos. Mas seu sentido original era a totalidade da natureza ou o processo padronizado de todos os domínios da existência, da matéria à mente, à Deus, e não somente o universo físico, que é como designamos hoje os termos “cosmos” e “universo”. Nesta condição o Kosmos contém em seu sentido filosófico o cosmos (fisiosfera), o bios (biosfera), a psique ou nóos (noosfera) e o teos (teosfera ou campo do Tao). Dentro das pesquisas atuais sobre a questão devemos discutir onde exatamente encontra-se a fronteira, o limiar onde a matéria se transforma em vida, isto é, o cosmos se transforma em bios e como ressalta o pesquisador Francisco Varela, ocorre o fenômeno da autocriação ou autoreplicação (autopoiesis), que só acontece nos organismos vivos. Trata-se de uma manifestação emergente grande e intensa, e principalmente nova do ponto de vista da idade relativa da criação do Universo, como fruto da evolução da semente primordial que deu forma ao Kosmos.

Apesar das divisões artificiais de nomenclatura que do ponto de vista semântico e cognitivo somos obrigados a desenvolver para explicar estes fenômenos em cada uma das áreas cientifícas que contêm, através do conhecimento humano filosófico podemos dizer que eles na verdade estão integrados em uma Unidade Indivisível, uma rede de informação, em que a parte é o reflexo do todo. Quando definimos uma escala de evolução da matéria no Universo a partir do Big Bang, os níveis de criação vão desdobrando-se em escala sempre crescente e vão diminuindo em quantidade conforme evolui a complexidade do organismo. Existem miríades de partículas no Universo, delas menos quantidade de átomos elementares e ainda menos moléculas formadoras de células vivas, e ainda menos quantidade de organismos pluricelulares. Então podemos imaginar que existe um estoque infindável de matéria prima potencial, uma provisão para a criação de organismos complexos sempre que isso seja necessário. O ordenamento do Universo permite assim a possibilidade de um potencial de criatividade infinita e da possibilidade da destruição destas estruturas complexas na ponta do eixo de formação quando, por alguma razão desconhecida, se tornam prejudiciais ao sistema como um todo, para que outras estruturas melhores sejam formadas. Pode-se intuir então que o Universo não necessita de nós, simples unidades pluricelulares, mas nós necessitamos do Universo para existir.

O destino misterioso da Vontade do Universo, seu objetivo final, e o vetor de sua jornada espaço-temporal, que foi originada a partir de sua própria expansão inicial é a grande interrogação a ser abordada.

O mistério desta expansão espacial, que também é uma viagem no tempo no sentido passado-futuro, para o ser humano comum é um fenômeno que passa despercebido conforme sua vida atravessa os ciclos diários artificialmente divididos entre dias e noites em sua azáfama rotineira sem fim. Só a visão dos astros permitiu as civilizações do passado desenvolverem calendários para gerir seus ciclos de transumância e cultivo, o que demonstra a importância do Universo, ou parte dele, para propiciar uma referência temporal ao observador.  O tempo foi fatiado e dividido em porções para marcarmos sua marcha inexorável e na atualidade a importância de registrar a sazonalidade das estações deu lugar a medição de sua sucessão contínua, para definição das atividades diárias de operários e burocratas e marcação de seus equipamentos analógico/digitais. Quando o cientista estabelece a data do Big Bang como um evento ocorrido há 13 bilhões de anos atrás ele utiliza como medição de unidade um conceito de tempo artificial que corresponde ao período anual de translação da Terra ao redor do Sol. É evidente que na época deste evento cósmico nem o Sol, ou a Terra existiam para que pudessem estabelecer seus movimentos como padrão do tempo transcorrido. A relação existente entre eventos em escala cósmica e sua expansão exponencial na velocidade da Luz com a efêmera vida de um ser humano  corresponde ao mesmo que tentar medir a hora integral da Criação do Universo com a pequena escala do padrão unitário em milissegundos percorridos pelas descargas de elétrons num pulso de meio ciclo de uma onda senoidal que representaria o tempo de ascensão da vida humana no planeta.

O observador com sua presença altera o fenômeno observado diz a Lei Quântica. Mas quem era o observador no primeiro segundo do Big Bang ? Ou antes disso ? Nietzsche faz sua a proposição: “Não há sujeito sem objeto e não há objeto sem sujeito” e afirma ser tal proposição da mais extrema trivialidade. E continua: “Não podemos dizer nada da coisa em si, porque nos privamos na base do ponto de vista do conhecedor, isto é, do medidor. Uma qualidade existe para nós, medida para nós. Se retirarmos a medida, o que será ainda a qualidade?”  No Zen Budismo iremos encontrar na sua lógica particular dos Koans uma ideia semelhante. Quando o monge Myo (Ming) perguntou ao Sexto Patriarca o que era o Zen ele respondeu: “Quando a vossa mente não está morando no dualismo do bem e do mal, qual era o vosso rosto antes de nascer?”
 
O que pretendo afirmar é que um segundo e 13 bilhões de anos atrás possuem a mesma posição temporal para o observador que se encontra no momento presente, pois ambas as grandezas são intangíveis e sem retorno depois de percorridas. Pelo menos assim serão até que o homem possa conceber um artefato que transporte o observador no sentido inverso do tempo. Mesmo assim nada garante que terá que percorrer um trajeto maior ou menor em cada um dos momentos relacionados. As grandezas criadas pelo ser humano são funcionais apenas quando tratam de registrar eventos ocorridos no planeta Terra, mas vão perdendo sua precisão conforme se afastam da superfície do planeta ao tratarem de descrever fenômenos ocorridos alhures no Universo e com diversas velocidades relativas.

Quando Einstein desvendou a Lei da Relatividade demonstrou que o tempo é relativo de acordo com a posição do observador e sua velocidade. Não há um tempo universal. A luz e as outras radiações propagam-se a partir de um evento, como ondulações através do Universo, não havendo nenhuma possibilidade da informação daquele evento trafegar a uma velocidade maior. A luz ou as ondas de rádio e os raios X, são veículos de mensagens por excelência, e compõe uma rede básica de informações, ás quais mantêm interligado o universo material, e de onde trafegam as subpartículas com seus dados formativos. Mesmo que a mensagem a ser enviada seja simplesmente tempo, não podemos obtê-la, indo de um local para outro, mais rapidamente do que a luz ou a onda de rádio que a transporta. É o que garante a atual cosmologia. Em sua obra “O Universo Elegante”, finalista do prêmio Pulitzer de não ficção, seu autor Brian Grene afirma:

“...de que há um limite para a velocidade espacial de um objeto: a velocidade máxima através do espaço só pode ocorrer se a totalidade do movimento de um objeto através do tempo for convertida em movimento espacial. Isso ocorre quando a totalidade do movimento à velocidade da luz, que anteriormente se dava no tempo, converte-se em movimento à velocidade da luz no espaço. Se um objeto converter a totalidade do seu movimento à velocidade da luz através do tempo em movimento espacial, ele – e qualquer outro objeto – alcançará a máxima velocidade espacial possível. ...do mesmo modo, um objeto que viaje à velocidade da luz através do espaço não terá nenhuma velocidade disponível para o movimento através do tempo. Portanto, a luz não envelhece; um fóton proveniente do big-bang tem hoje a mesma idade que tinha então. À velocidade da luz, o tempo não passa."

A teoria quântica dá ênfase na informação como forma de estabelecer a integridade do microcosmo, na sua representação e transformação. Por analogia podemos dizer que uma vez que um computador também transforma informação, uma imagem interessante do universo quântico é a de um computador gigante, um imenso sistema de processamento de informação em rede que funciona em tempo real.

Nesta metáfora do Universo como computador cósmico, seus corpos materiais que o compõem, as partículas quânticas, são como o hardware. As regras lógicas universais que estas partículas obedecem, as leis da Natureza, são como o Software apenas limitado pela velocidade da Luz. A evolução do Universo, isto é, sua expansão a partir do big bang, portanto pode ser vista como a execução do “programa” especificado pelas leis da Natureza, ou como foi afirmado antes, a Vontade Cósmica em execução, embora não se possa estabelecer de fato que se trate de um programa determinista, como o dos computadores digitais. Resta decifrar qual é o destino e o objetivo deste computador cósmico. Mas os cientistas já sabem que o programa deu origem a “sub-rotinas”, que podemos identificar, entre outras coisas, com a vida planetária, as quais, parecem tão complexas que parecem ter existência própria, independente do computador cósmico e seu objetivo final.

Os cientistas afirmam a partir da Teoria da Incerteza que é impossível estabelecer a velocidade e a posição das subpartículas. Stephen Hawking vai mais longe ao afirmar em sua obra “O Universo em Uma Casca de Noz” o que segue: “Nem mesmo podemos supor que a partícula tem uma velocidade e uma posição conhecidas por Deus, mas ocultas de nós. Tais teorias de ‘variáveis ocultas’ preveem resultados em desacordo com as observações. Mesmo Deus está limitado pelo princípio da incerteza e não pode conhecer a posição e a velocidade. Ele só pode conhecer a função de onda.” Será verdadeira esta afirmação ou só mais um arroubo da arrogância humana? E continua: “Em vez de sermos capazes de prever tanto as posições como as velocidades podemos prever apenas a função de onda. Isso nos permite prever ou as posições, ou as velocidades, mas não ambas precisamente.” É o que restou do determinismo cientifico no plano microscópico do Universo. A dualidade onda/partícula, conceito consagrado da mecânica quântica que afirma não haver diferenças fundamentais entre partículas e ondas, ambas podem comportar-se ora como uma coisa, ora como outra. Entretanto e apesar das especulações dos cosmólogos de plantão, todavia o Universo quadridimensional como o conhecemos funciona, e conforme as próprias constatações dos especialistas, suas características particulares preenchem as condições necessárias que são favoráveis para a formação da Vida, como uma imensa teia de energia interligada. A realidade essencial é um conjunto de campos (...) tudo mais é derivado, como consequência da dinâmica quântica destes campos afirmou Steven Weinberg.

As implicações evidentes deste conceito é considerar sem sentido perguntar de que são feitos os campos como seria também indagar de que materiais seriam feitas as partículas quânticas. Neste plano da física energia e matéria não se distinguem. Alguns cientistas pretendem que a teoria das Super Cordas irá criar as condições necessárias para a Teoria da Relatividade ser integrada com a Teoria dos Quanta unificando finalmente as leis da física cósmica com as leis das subpartículas.
 
Os mesmos elementos formadores do Universo foram responsáveis pela criação da vida na Terra. Muitas estruturas devem ter evoluído, reagido e desmoronado antes que a elegante estrutura helicoidal do nosso ancestral básico passasse a se formar e a replicar com alta eficiência e fidelidade. Nesse momento, há cerca de 3,5 bilhões de anos da Terra, surgiram as primeiras células bacterianas autopoiéticas, e a evolução da vida no planeta começou.

A Terra formação - 

A nível microscópico as moléculas elementares de Hidrogênio, Carbono, Oxigênio, Nitrogênio, Fósforo e Enxofre, que compõem as células dos seres vivos, mantêm suas variáveis quânticas de ionização em perfeita sintonia com as condições da matéria existente em todas as partes do Universo e promovem através de trocas e combinações eletroquímicas que ocorrem em velocidades estonteantes de fótons e elétrons, processo dinâmico que ocorre no interior dos sistemas celulares e promove a autocriação e autoreplicação necessária para a manutenção da Vida. Ao se formarem as primeiras cadeias de aminoácidos e nucleotídeos após o primeiro bilhão de anos de criação do planeta a própria ação dessas células primordiais foi responsável pela formação da atmosfera através dos processos químicos que ativaram quando da sua organização e através de suas funções de alimentação e excreção, e processos elementares de fermentação e fotossíntese que foram absorvendo e transformando os compostos de gases então existentes no meio ambiente planetário que seriam nocivos posteriormente para estruturas mais complexas de vida. Essas estratégias de sobrevivência e adaptação num meio ambiente cambiante não só permitiram que os organismos sobrevivessem e evoluíssem, mas também que mudassem substancialmente seu meio. Neste período a Terra estava fervilhando de bactérias. Elas engendraram milhares de biotecnologias para permitirem-se a trocas cada vez mais eficientes com seu meio e a sua própria reprodução. A cooperação entre os microorganismos e a troca de informações genéticas propiciou seu domínio e a regulação das condições necessárias para a Vida, como ainda hoje o fazem no planeta.

Universo Vivo -

1)  Ao contrário do que pensavam os antigos nem o planeta Terra, nem o Sistema Solar, nem mesmo a nossa Galáxia, a Via Láctea, encontram-se em situação central em relação ao Universo. Diferente de imaginar que isto represente uma falta de significado transcendente na Ordem Cósmica pode-se considerar, pelo contrário, que existem muito mais variáveis potenciais de formação das condições necessárias para existirem outros nichos gaia espalhados pela imensidão do Espaço, em nossa galáxia e nas miríades de outras galáxias que habitam o Universo em expansão.

    2)   Diferente do que pensam cientistas como Stephen Hawking em relação a possível vida inteligente existente no Universo e sua tendência ao atingir determinado nível de evolução em ser conquistadora dos seres mais fracos como fizeram os humanos em sua história, que como ele menciona no seu livro “O Universo numa Casca de Noz” seria semelhante aos malvados alienígenas do filme “Quatro de Julho” que não passam de projeções psicológicas projetadas na tela de uma decadente sociedade ocidental, seres que viriam aniquilar nossa civilização como fizeram os indo arianos nos continentes onde invadiram na Euroásia e América no passado. Segundo ele seria a prova da inexistência destes seres superiores, o fato de não terem tentado ainda a conquista.  É fácil do ponto de vista psicológico e do estudo das massas afirmar que tais criações hollywoodianas nada mais são do que uma projeção no outro, no alien imaginário, da feroz condição humana que é antropofágica em relação ao inimigo e onívoro em relação ao ambiente e pode ou não coincidir com a mentalidade de seres superiores que viajam pelas estrelas. Sem ser otimista demais ao ponto de imaginar que quando a humanidade começar a conquistar as estrelas, um caminho a ser perseguido, inexorável para evitar-se a extinção da humanidade confinada no planeta Terra, com seus recursos cada vez mais limitados, que não iremos encontrar antagonistas a altura para enfrentar, com certeza serão seres em situação que iremos considerar inferiores a nossa e portanto desprovidos de humanidade para tentarmos matar ou oprimir sem culpa. Nada sabemos dos seres que habitam outras esferas, mas temos pleno conhecimento através da história conhecida como se comporta a condição humana perante o exógeno.
   
Mas é provável que no espaço profundo exista vida a um nível mais elevado, evoluída de outros seres que não sejam primatas como nós e que acabem gerando outras tendências filosóficas e morais diversas das nossas, onde a ideia da violência não possui sentido algum. Poderíamos especular que tais seres com razão evitariam contato com uma raça belicista como a nossa. Bastaria apenas assistirem nossas programações audiovisuais via satélite para evitarem o contato imediato.

    3)  A condição da Vontade Cósmica está relacionada ao processo evolutivo do Universo? Ela possui uma mente como organismo inteligente e as características necessárias relacionadas anteriormente como definição de ser vivo? O Universo pensa e se reproduz? Estas questões talvez nunca sejam respondidas, afinal de contas vivemos no palco da vida e nosso destino é a diversão das esferas em direção ao Vazio Ignoto.